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25 de julho de 2014 - 13:29F1

Cinco anos

Budapeste – Coisa curiosa essa tal de vida. Há cinco anos, eu deveria ter vindo para a Hungria fazer o GP. Mas tive de desistir na última hora por uma questão pessoal. Agora surgiu a oportunidade como deveria ter sido, o que é deveras curioso. Mas, enfim, isso tudo para dizer que eu deveria estar aqui quando Massa se acidentou durante o Q2 da classificação daquele sábado, 25 de julho.

Eu só soube do acidente de Felipe Massa bem depois, à tarde já no Brasil, depois de ter passado a noite anterior no hospital. Eu quase não acreditei quando vi a foto no Grande Prêmio (sim, aquela mesmo do rosto assustado de Felipe ao ser retirado do carro). Pelo mesmo motivo pessoal, eu não fiz parte da cobertura do acidente e depois da recuperação de Felipe em Budapeste. Mas não deixei de ficar angustiada pelo pessoal na redação que ficou acompanhando quase 24 horas por dia o andamento e a reabilitação de Felipe. Ainda assim, sequer me lembro do acidente em si e da repercussão dado o nível de estresse daquela época.

Na verdade, a primeira coisa que vem à cabeça quando em recordo do acidente foi o dia em que Massa desembarcou no Brasil. Eu me lembro da imagem da aterrisagem em Guarulhos, em uma pista afastada e da chegada dele ao hospital em São Paulo. Naquela segunda-feira, nove dias depois do acidente, ainda conversei Marcio Fonseca, assessor de imprensa de Felipe no Brasil. Ele falou rapidamente sobre o voo e a condição do então piloto da Ferrari.

Resgate de Felipe Massa na Hungria (Foto: Getty Images)

Resgate de Felipe Massa na Hungria (Foto: Getty Images)

Como se sabe, hoje faz cinco anos daquele acidente que poderia ter acabado com a carreira de Massa. A única lembrança visível nele é uma pequena marquinha na testa. Nós falamos com Felipe neste fim de semana. Assim como eu, ele também não se recorda do acidente. Mas guarda um enorme carinho por esse país, pelas pessoas e pelos médicos que o atenderam. Inclusive, ainda mantém contato com o médico que o operou naquele fim de semana no AEK de Budapeste.

Massa, porém, admitiu aos jornalistas brasileiros que o acidente o fez ter ainda mais respeito pela vida. E foi isso o que realmente mudou para ele. O agora piloto da Williams fala com tranquilidade sobre o drama que viveu e tira apenas lições positivas da experiência.

“Eu não me lembro do acidente, mas tenho muito mais respeito à vida, sem dúvida nenhuma. Se a gente nunca acha que alguma coisa séria pode acontecer com a gente, na verdade, pode acontecer com qualquer um. Eu dou muito mais valor à vida”, disse no paddock de Hungaroring, neste fim de semana.

“E gosto muito desse país. Eu tenho muitos fãs aqui, que me esperam no hotel, no aeroporto e sempre ganho muita força das pessoas, um pouco por causa do acidente também”, completou.

Acho que é o modo mais válido de entender e conviver  com o que aconteceu. Muita gente credita o desempenho errático de Felipe nos anos que se seguiram ao acidente, mas ele pensa diferente. E isso vocês terão a chance de ler em breve na Revista Warm Up.

Só para constar: Felipe Massa foi atingido na cabeça por uma mola que escapou do carro de Rubens Barrichello, que na época defendia a Brawn. O incidente aconteceu na segunda fase da classificação para o GP da Hungria de 2009. Muito agitado, mas consciente, o brasileiro foi levado para o centro médico da pista e, em seguida, para o Hospital Militar de Budapeste, onde foi submetido a uma cirurgia para a retirada de fragmentos ósseos da face. A peça bateu logo cima do olho esquerdo. O capacete foi fundamental para a proteção do piloto.

Após a cirurgia, a Ferrari emitiu esse comunicado:

“Ele estava consciente quando chegou ao hospital. Um exame médico revelou um corte na testa, uma lesão na parte esquerda do crânio e uma comoção cerebral. A operação foi um sucesso, e Felipe vai ficar agora em observação na UTI”.

 Massa ficou de fora do restante da temporada 2009. E só voltou em 2010, quando iniciou os anos de parceria com Fernando Alonso, marcados por episódios complicados, como o GP da Alemanha daquele mesmo ano. Em 2013, Felipe deixou a Ferrari depois de oito temporadas para se juntar à Williams.

3 comentários

  1. Sil C San disse:

    Muita gente falou e ainda fala sobre o desempenho do Felipe depois do acidente. Na verdade, muita gente fala muito mal sobre o brasileiro. Acho que muitas vezes se esquecem que ele é um ser humano e assim como qualquer um, erra e não é perfeito. E se ainda está na F1, acredito que seja por mérito, conquistou seu lugar. Somos um país acho que com mais de 200 milhões de habitantes, bom, nunca parei pra contar. Mas enfim, ele está lá nos representando, talvez depois dele não tenhamos mais ninguém assim tão cedo. Então se Ayrton foi do Brasil, Felipe também é e sempre será.

  2. paulo vitor disse:

    ele nunca vai afirmar e revelar q seu desempenho mudou por consequencia do acidente, ate pq estaria se desvalorizando perante os q lhe dão emprego …mas como Nelson Piquet disse algumas vezes, nunca vc fica igual após uma lesão celebro assim…

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