MENU

25 de julho de 2014 - 15:13F1

Qual o seu papel?

Budapeste – Não é nenhuma novidade dizer que a F1 ignora solenemente discussões políticas envolvendo os países que visita ou pretende visitar. O negócio (a escolha da palavra é proposital, sim) é sempre deixar claro que o esporte não tem nada ver com o que acontece nos locais de prova, tanto do ponto de vista político e econômico quanto social. A categoria chega, monta seu circo e se manda quatro dias depois e assim tem sido ao longo de boa parte de sua história, servindo bem para servir sempre quem aceita suas condições. É um grande negócio, em resumo.

Pois nesta sexta-feira, na coletiva da FIA em Hungaroring, esse comportamento ganhou contornos destemperados. O chefão da Red Bull, Christian Horner, fez todo um discurso acalorado sobre como os jornalistas preferem ressaltar sempre as “questões mais negativas” de tudo.

Depois de uma sequência de perguntas sobre a queda de popularidade da F1 e questões relacionadas ao GP da Rússia deste ano, em meio ao turbilhão político que vive aquele país no conflito com a Ucrânia, além da confirmação da etapa no Azerbaijão, divulgada também nesta sexta, o inglês foi muito franco e disse que esses assuntos não cabem às equipes. Os times não podem responder por decisões tomadas pela FIA ou pelo detentor dos direitos comerciais, vulgo Bernie Ecclestone.

O dirigente se irritou ainda mais quando foi questionado sobre se achava errado a F1 competir em países onde há claras preocupações da comunidade internacional quanto ao respeito dos direitos humanos, citando o Bahrein e a China como exemplos.

“Isso está se tornando uma coletiva deprimente, porque estamos apenas nos concentrando nas coisas negativas. Olha, tem um calendário que sai em outubro e em novembro. Todos nós temos uma escolha: ou entramos no Mundial ou não. Todas as pessoas sentadas aqui são competidores e eles estão aqui porque são apaixonados pelo esporte e querem competir.”

“Todos vocês, ou a grande maioria [dos jornalistas], estarão também nas corridas. E por quê? Ou porque são apaixonados pelo esporte ou porque ganham a vida cobrindo a F1, então eu acho errado tornar a F1 um assunto político, quando se está no esporte”, completou um zangado Horner.

“Nós deveríamos falar sobre os nossos pilotos, que fizeram uma grande corrida na semana passada [se referindo a Sebastian Vettel e Fernando Alonso]. Nós deveríamos falar da grande prova que fez Lewis Hamilton, mas tudo que fazemos é focar nas coisas negativas. E isso é preciso ser dito: é muito chato para nós nos sentarmos aqui e responder sobre isso. Que tal fazer perguntas sobre o que vai acontecer na corrida de domingo? Mas se vocês insistirem, então é melhor encaminhar as perguntas ao Bernie Ecclestone e ao Jean Todt e não às equipes”, acrescentou.

O restante dos chefes presentes na mesa não se pronunciaram, mas disseram em perguntas anteriores que a regra geral é seguir as recomendações da FIA, como aconteceu mais especificamente no Bahrein.

É curioso como, mesmo tendo de aceitar as deliberações da FIA e da FOM e participando muitas vezes delas, as equipes permanecem inertes e seguindo o barco, ainda que isso também possa comprometer suas marcas, a identidade e a ideologia pregada ao redor do mundo.

E, para você, leitor, as equipes têm razão em querer esse afastamento das decisões da FIA/FOM ou deveriam usar seu poder político e financeiro para impor alguns limites?

13 comentários

  1. Sil C San disse:

    Concordo em partes com Christian, não sou muito adepto de misturar política com esporte. A F1 é um grande evento esportivo, assunto não falta, quem está lá cobrindo, está lá cobrindo uma corrida, ou então está com sua pauta errada ou querendo aparecer mais do que o entrevistado. Até porque muita gente confunde as coisas, o cara opina algo e pronto, já é tachado de alguma coisa, e no esporte isso pode ser muito perigoso, tem muita grana por trás. Agora que ele assim como os outros chefes de equipe deviam se manifestar sobre os rumos da F1 deviam. Tudo bem esta coisa de energia limpa e tal, desde que isso não mude a essência da categoria e cá entre nós, está mudando.

  2. Augusto disse:

    Nossa, esse é um assunto complicado. Acho que ele está certo em separar o esporte e política, não fosse assim, seria impossível participar (como atleta, profissional, jornalista) de QUALQUER esporte atualmente, pois todos têm interesses escusos.

  3. Moisés disse:

    Isso não é surpresa. Quando o dinheiro dita as regras o lado humano fica prejudicado. Senna já emitiu essa opinião uma vez. Para mim, o esporte é, antes de qualquer coisa, algo essencialmente humano; assim, a FIA deveria demonstrar uma postura política para contribuir com a coerência social global. Quanto às equipes, elas são as mais rápidas na pista e as mais lentas no pensamento social. Uma pena. Sigo sendo um apaixonado pelo automobilismo, mas talvez, não tão feliz quanto eu poderia ser. E você?

  4. Ronald disse:

    E o piti? Quando ocorreu? Exagero, cidadão…….

  5. Saulo disse:

    Nao tem que se meter mesmo, essas perguntas sao so para encher o saco e colocar polemica onde ja existe demais.
    E nao e se tratar das equipes serem inertes, ou fingirem estar de olhos vendados ao que acontece. Eles ja tem seus problemas esportivos para se preocupar e, parece, jornalista nao lhes dar o direito se serem neutros nesses assuntos. Ai passam a chama-los de inertes.

  6. Ricardo disse:

    Poxa vida…A motivação desta coletiva de imprensa é ter acesso às informações técnicas sobre as equipes, motores, freios, eletrônica, ajustes, etc etc que os chefes de equipe têm…. Eles querem falar de F-1 e jornalistas insistem em envolver política. Homer está certo não é o foro adequado. Entrevistem Jean Todt ou Bernie Eclestone. Sempre leio as entrevistas deles na sexta-feira e é sempre a mesma chatice.

  7. Natã disse:

    As equipes tem razão, tem que ver apenas o Esporte, questões políticas não se devem misturar com esporte, senão um estraga o outro! A maioria desses jornalistas são uns bundões.

    • Denis disse:

      As questões politicas do país A, B ou C não interessam as equipes ou a competição em si. Se estes países tem problemas não é a F1 que vai acentuar ou resolver, a Russia que não faça GP se as equipes forem chamadas e pagas pra correr no Iraque eles devem ir e correr é o que fazem competem.

  8. Olá Evelyn!

    A F1 é realmente um grande negócio, ninguém nega isso. E Horner esta certo em criticar a postura dos jornalistas quando estes fazem perguntas que não estão ligadas ao GP passado e nem ao evento que irá ocorrer no final de semana.

    Obviamente todos nós gostaríamos, inclusive aqueles que cobrem a F1, que as corridas acontecessem nos circuitos mais tradicionais, Porém, as prioridades das pessoas mudaram, os negócios acontecem em vários lugares ao redor do mundo e tudo ganhou um volume financeiro muito grande, fazendo com que outras praças fossem usadas para que as equipes exponham suas marcas e patrocinadores.

    Como deixar de lado um mercado consumidor como a China por exemplo? Alguém deixa de comprar um smartphone porque ele é fabricado lá e eles não respeitam os direitos humanos? Como deixar de correr em Bahrein, aonde se encontra grande parte dos investidores, os caras que bancam grande parte da brincadeira e, queira ou não, parte das equipes?

    Fica fácil entender o motivo dessas corridas exóticas. E elas sempre existiram, basta visitar a história do esporte. Se há interesse de alguém que banque, ela acontece. Quando não havia grande volume de dinheiro envolvido, a corrida era retirada do calendário. Basta lembrar do GP sul-africano, banido na década de 90 justamente porque a grana envolvida não valia a pena e o esporte atendia apenas à minoria branca daquele país, ligada ao apartheid. Ali sim havia o comprometimento das marcas, a identidade e a ideologia pregada ao redor do mundo.

    As equipes concordam justamente porque elas tem interesse que as corridas aconteçam em determinados locais, independente da política, religião ou problemas internos. Eles vão atrás da grana. Se a grana for boa e a mancha na imagem das marcas que eles carregam não são grandes, eles pagam o preço. E os jornalistas tem a obrigação de nos dizer o que esta acontecendo dentro das pistas, sobre os pilotos e tal, não o posicionamento político de equipe ou o que determinado dirigente acha.

    E, cá entre nós, você deixa de ver as corridas por causa disso? rsrsrs

    Abraços!!

  9. Billy disse:

    Por mais que os participantes digam que não misturam política com esporte, os organizadores de alguns GPs certamente não pensam assim. A prova disso é o Bahrein, cujos organizadores usam a corrida como cortina de fumaça para passar a impressão para o mundo de que tudo corre bem no país. É muita inocência achar que uma simples corrida de carros (um dos esportes mais caros do mundo) será capaz de “unir” o povo, que certamente tem preocupações maiores, como sugerido após a primavera árabe. O mesmo pode ser dito sobre as ditaduras do Brasil e Argentina nos anos 70 e o apartheid na África do Sul.

    Eles são os donos do espetáculo e deveriam sim se posicionar contra, mas cada um só enxerga seus interesses.

  10. Luiz disse:

    Os jornalistas fazem a mesma coisa. Cobrem estas corridas porque esta é a sua profissão, fazem por dinheiro, por salário, porque as equipes e os pilotos não podem? Porque vocês não boicotam estas corridas já que são tão ideologicamente corretos? Não boicotam porque estão comprometidos com dinheiro até o pescoço, como eles. Torrar o saco dos outros é fácil, tomar alguma atitude ninguém toma, é só mimimi “jornalístico”.

  11. Davi Ribeiro disse:

    Pessoalmente acho que a F1 – assim como qualquer evento que se preze – não deveria ocorrer em países que não respeitam determinados princípios éticos e blá blá blá. Deveria ter uma cláusula no contrato que em caso de guerra, desrespeito de direitos humanos e blá blá blá o evento seria cancelado. A F1 teria um monte de gente querendo o evento em substituição, não seria problema então.
    Mas, a realidade é outra. Desde que me conheço como gente, ainda pequeno, lá pros meados da década de 70 eles correram na África do Sul, com o Apartheid rolando solto. Não se preocupam, de forma alguma com a situação política – e até militar – do país onde correm. Correram no Bahrein há dois anos em plena guerra civil. Sinal que tio Bernie não tá nem aí para essa questão.
    Em relação às equipes, acho que eles deveria pressionar um pouco mais quando a questão envolve risco de integridade das pessoas. Correr no Bahrein e na Russia este ano, a depende de como estiverem as coisas por lá na época, pode ser temerário.

  12. Lembro desse dia… o que o esporte pode fazer.. sem se meter na política e na religião de cada país.. a F1 não é a ONU.. http://globoesporte.globo.com/platb/memoriaec/2010/01/14/selecao-brasileira-e-povo-do-haiti-uma-relacao-marcada-para-sempre/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>