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23 de novembro de 2014 - 18:41F1

O merecedor

Curitiba – Clint Eastwood disse uma vez: “Merecimento não tem nada a ver com isso”. Foi em uma cena do ótimo ‘Os Imperdoáveis’, quando falava sobre as conquistas da vida antes de matar o personagem de Gene Hackman. Mas agora tenho de discordar do grande ator. Em 2014, Lewis Hamilton mereceu o título. E muito.

A temporada, enfim, acabou. E acabou com um campeão que fez por merecer, não só por ter vencido mais do que todo mundo — foram dez triunfos contra cinco do rival direto —, mas principalmente pela forma como construiu a liderança, que lhe permitiu chegar à etapa final dependendo apenas de si. Lewis Hamilton foi impecável neste ano. Não tem outra palavra para definir a campanha do inglês.

Lewis foi forte sempre que foi exigido. Reagiu de forma arrojada e sem medo em todas as vezes que esteve atrás. Não deixou nada extra-pista atrapalhá-lo como tantas vezes no passado. O britânico brilhou em corridas que dominou do início ao fim, mas foi ainda mais excepcional quanto precisou recuperar terreno devido a uma falha mecânica de sua Mercedes, como aconteceu na Alemanha e na Hungria.

F1 Grand Prix of Abu Dhabi

Mas o divisor de águas foi mesmo a prova em Spa-Francorchamps. O toque com Nico Rosberg mudou o rumo do campeonato. E Lewis passou a encarar a disputa como uma guerra. Não deu qualquer chance ao alemão nas provas que se seguiram, venceu cinco vezes seguidas na segunda fase do Mundial e ainda se deu a luxo de errar no Brasil, para ficar apenas em segundo. Mesmo assim, chegou a Abu Dhabi precisando de apenas um segundo lugar.

Nem precisou se esforçar tanto. A má largada de Rosberg e depois a falha na Mercedes #6 facilitaram ainda mais a vida do inglês, que alcançou seu bicampeonato. Olhando assim, é difícil de compreender que Lewis levou seis anos para levantar mais uma vez a taça de campeão. Mas o esporte é assim, às vezes. Agora, entretanto, a história tende a ser muito diferente.

Muito mais maduro, guiando o fino e contando com os serviços da melhor equipe do grid, é pouco provável que Lewis pare por aí. Outras conquistas devem vir, mas também a concorrência será maior.

Cabe aqui falar um tantinho de Rosberg. O alemão sentiu, sim, o golpe de Spa. E demorou para superá-lo. Quando o fez, já era tarde. Mas Nico pode sair com a cabeça erguida. Lutou o tanto que pôde no fim, o carro o traiu.

Rosberg também encarou a derrota com dignidade. Não botou a culpa na falha e nem na equipe. Aceitou. E reconheceu o trabalho do adversário. Agora, Nico sabe também que tem condições de enfrentar Lewis de igual para igual. E ano que vem tem mais.

3 comentários

  1. JORGE LUIZ disse:

    GOSTO DO FILME NA “LINHA DE FOGO“COM O CLINT,MUITO BOM TAMBÉM,HAMILTON ESTAVA NELA,NA VERDADE ELE ESTAVA ATIRANDO PRA VALER,E ACERTOU O TÍTULO,PARABÉNS!!!!!!

  2. horse disse:

    só lembrando que se a ferrari não tivesse comprometido tantas corridas do massa em 2008, esse seria o primeiro título do hamilton, que estaria agora se igualando ao massa, button, e raikkonen como campeões mundiais.

    claro que não podemos nunca contar com o “se”, mas se formos falar em merecimento, o título de 2014 foi indiscutivelmente do lewis, já em 2008, deveria ter sido do felipe.

  3. Boca disse:

    Boa análise Evelyn, mas permita-me discordar quando diz que o carro traiu Nico.
    Ele já havia sido superado por Lewis em 24 das 55 voltas da corrida. Mesmo que o carro não apresentasse problemas, ele seria, no máximo, segundo.
    Mas ele guiou muito bem o ano todo, só errando mesmo em Socchi e Monza.
    Ano que vem vai ser ainda mais disputado.
    Go Lewis!

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